segunda-feira, 19 de março de 2007

Dia 19/03 e 20/03

Dia 19 de março

Sem nada demais a contar, segundona brava, todos trabalhando, eu finalmente resolvi dar uma paradinha pra pôr algumas coisas em ordem como: pagar umas contas, organizar e-mails e fotos, para que meus “queridos irmãozinhos” pudessem adicionar fotos ao blog. Então, fui a um internet-café e lá fiquei por quase 4 horas. Retornei a casa e lá estava a ajudante da casa dando uma ajeitada em tudo. Seu nome é ROSA, filha de índios e male mal fala o espanhol. Disse que ia comprar algo pra comer e perguntei do que ela gostava. Eu ofereci McDonalds, achando que estava abafando, oferecendo-lhe algo que, provavelmente, ela não come com muita freqüência. Ela me fez uma cara de desdenho e me disse: “si, pero no mucho”.

Até aqui...

Ofereci comprar “POLLO CAMPERO”, de uma rede de produtos galináceos que, por sinal, é muito bom. Ao receber meu pedido, puseram a comida em uma sacolinha toda perfurada e aí eu, com minha curiosidade e inclinação para assessor de assuntos aleatórios, resolvi perguntar o porquê da sacolinha furada. Bom, o vendedor me respondeu que, devido ao número de motos circulantes na cidade da Guatemala, as sacolas eram perfuradas para que o ar não as enchesse e se arrebentassem. (Bruno também é cultura popular!) .

Nada de especial depois disso: lavei roupa, dormi... até que, mais de noite, saímos Arturo, Asdrubal e eu pra comer Taquitos em uma carrocinha. Hummmmmmmm!!!! Bom demais!!!! Não quis nem pensar nas condições de higiene em que aquele PACO de carne, que fica espetado e exposto ao ar livre, se encontrava.

Estoy cierto de que uno tien que ver, sentir, degustar las cosas de uno lugar para que se conocoscas e se viva este!

A vida esta aí, às vezes nos esquecemos de olhar ao redor. Se estamos saudáveis, bem alimentados e abrigados, todos os outros problemas só existem dentro de nossas próprias mentes, são – literalmente - virtuais. De uma forma geral, acho que as pessoas reclamam de suas vidas porque queriam isso ou aquilo... Mas, são necessidades simplesmente criadas por nosso desejo, nosso anseio de TER. Talvez devêssemos deixar um pouco de querer TER, e sim se SER algo. Entretanto, é indiscutível que o conforto e as oportunidades proporcionadas pelo dinheiro, em um mundo capitalista, fazem as coisas mais fáceis, mas se não as temos, creio que não podemos encará-las como problemas ou motivos pra achar a vida menos bela. Ufa, acho que uma barriga cheia gera esta filosofia.
Enchamos a barriga!

Dia 20 de março












Acordei cedo, arrumei toda minha tralha e parti para ANTIGUA. Logo ao sair da casa onde estava, havia uma rotatória e, quando fui fazer a curva para a esquerda, havia óleo no chão e a moto saiu deslizando de lado. Em um ato instintivo, virei o guidon para a direita e fui deslizando por quase 4 m, a pedaleira raspou no chão, mas consegui controlar a bichinha e me fui. Ufa! Emocionante. A viagem foi muito agradável, pois, a estrada de pista dupla era muito boa e cheia de curvas para descer a serra. Bom demaaaaaaaaaaiiiiiiissss!

Estava curtindo tanto que naquele anseio de viver aquela experiência não me animei a parar pra conectar a câmera do capacete. Na volta, talvez... Um fato interessante foi que, por toda a descida da serra, vi que existiam “RAMPAS DE EMERGENCIA”. Trata-se de uma área de escape para qualquer veículo que perca os freios ou superaqueça as pastilhas na descida. (como acontece quando se desce a serra de MOGI DAS CRUZES – SP). São rampas em terra, bem amplas que sobem pela beirada da montanha, possuindo mais ou menos uns 30m de extensão e que tem em seu final uma barreira de areia fofa. Muito bem feito e inteligente também. Boa idéia!


ônibus
alegre.











Hora da
Ciesta


Ao chegar a Antigua fui logo a um Internet Café pra dar uma averiguada no Blog que meus queridos hermanos estão a organizar, porque eu sou um palerma em assuntos que dizem respeito a computadores e Internet. Então deixo para eles fazerem o trabalho sujo. VALEU BROTHERS!

Hotel San Sebastian

Logo em seguida, fui achar um hotel: 20 doletas por noite, nada muito caro e, logo que organizei tudo, saí pra bater perna. Depois de fotos e mais fotos, entrei em um mercadão de artesanato onde comprei uma calça de chita de uma senhora índia.


















Tem alguma coisa mais coloridinha aí?

Depois, sentei-me em um Café e há algum tempo estava de papo com uma suíça, Andréa, que se aproximou e começou a falar comigo por causa da música que estava ouvindo. Ela é enfermeira na Suíça e está viajando sozinha, aprendendo espanhol em países diferentes, enquanto trabalha como voluntária em escolas, como professora assistente. Já esteve no México, agora, Guatemala e depois,Venezuela. Gente finíssima! Falou de um passeio para o VULCAO PACAYA, que sai daqui de Antigua; custa $8 dólares e inclui transporte e guia. Na entrada do parque tem-se que pagar mais Q25 (3,50 dólares) para entrar. É um vulcão que está em atividade, e que dizem ser muito bonito à noite, devido ao contraste da imagem da lava. Huahuahuahua, já achei algo pra fazer!!!

Vulcão D'água

De noite me aparece o Asdrúbal, num barzinho em Antigua que se chama MONOLOCO, ou Macaco louco, em português. Ele havia tentado me mandar uma mensagem dizendo que estava a caminho, mas, aparentemente não funcionou. Lá encontramos mais dois amigos dele e, depois de comermos algo, fomos pra parte de cima, onde muita gente se divertia ao som de músicas variadas, bebendo e dançando. 90% do público era de “GRINGOS” , eu me senti como em qualquer lugar dos EUA onde as loiras eram maioria absoluta.
Lá também encontrei a suíça Andrea e ficamos de papo boa parte da noite. Ela me contou que casa dentro de quatro meses e o seu noivo não veio por causa de um acidente de carro na Hungria, quando foi visitar seus parentes de lá. Sabendo que era dentista, ela me disse que muitas pessoas saem da Suíça pra tratar de dente na Hungria por causa do preço. Imagina só: sair do seu país pra tratar de dente na HUNGRIA? Hehehe, soa estranho! Nós nos divertimos pacas e depois fomos pra um After Party em um outro lugarzinho, mas estava meia boca e eu bebinho... tava louco pra achar minha cama.

Boa Noite!!

Fotos em Antígua


















Máscaras de
Jade




Casa de Bernal Castillo



Catedral de Antígua

domingo, 18 de março de 2007

Dia 18 de março

Guatemala - Dia 18, de março

















Novamente levanto às 6 da matina. O irmão do Arturo, o Asdrubal, e eu pegamos as motos e fomos para a costa Pacífica da Guatemala. Depois de uma viagem tranqüila de mais ou menos duas horas, chegamos a MONTE RICO, um vilarejo ao qual só se chega por balsa, porque, segundo informações, a ponte está pra sair há “trocentos anos”. Assim que paramos, o que mais me chamou a atenção foi a areia CINZA. Isso mesmo, as fotos não estão com problema não! Hehehe! Aparentemente, todas as praias guatemaltecas localizadas no Pacífico são assim por causa dos vulcões. É muito esquisito, nunca tinha visto! Além do contraste de um mar bem azul e uma areia quase negra!























Um lugarzinho muito tranqüilo onde há vários ambulantes vendendo de tudo, principalmente frutas! TRANQÜILO, TRANQÜILO! Sem muito a contar, fiquei lá de bobeira até o final da tarde: sol, água fresca e também muiiiiitttta sombra, porque o calor tava pegando.


Caju!
É o Brasil
exportando tecnologia...













Tráfego intenso.
O stress do congestionamento.







Olha aí,
ai o meu guri,
olha aí...










No caminho de volta, resolvemos passar em ANTIGUA para ver como era, já que todos falam muito de lá. Antes de chegar, passamos pela CIUDAD VIEJA, ao pé, literalmente, do VULCAO D’AGUA. Não se assustem, não é de água não! O que aconteceu foi que, por volta do ano de 1550, chuvas torrenciais atingiram a região, continuadamente, por mais de duas semanas. O vulcão se encheu e toda a água que desceu dele, de uma vez, destruiu toda a cidade. Dizem que podia-se contar no dedos os sobreviventes. Daí vem o nome Vulcão d’Água. Ciudad Vieja foi a capital de Guatemala por quase meio século, e a única construção que sobrou de pé dessa época foi a igreja das Mercedes. Ela foi a primeira do país, fundada em 1534. Estranho, não? Com a cidade destruída e muitos mortos, os espanhóis resolveram mudar a Capital para onde hoje é Antigua. Por isso há construções coloniais em Antigua e não em Ciudad Vieja, que ficou abandonada por muito tempo. (Bruno também é Cultura, não esqueçam!)


Chegar a Antigua foi muito bom, parece alguma cidadezinha colonial do interior do Brasil, mas a arquitetura espanhola e ligeiramente diferente da Portuguesa, como vocês podem ver nas fotos. Um lugarzinho charmozérrimo, cheio de turistas de toda a parte do mundo, cheio de bares, restaurantes e pousadas!




Lembra São João del Rey (de longe)








A comida é boa e, como quase tudo na Guatemala, BARATA. Depois daquele tour básico de turista de primeira viagem, dirigimos de volta a Guate, mas eu devo voltar a Antigua pra passar uns dois dias pelo menos, vamos ver. Daqui a pouco vou ao McDonalds pra poder mandar esse e-mail, porque a NET aqui da casa ta bichada! Ah, McDonalds aqui tem (além da entrega em domicílio...) Wireless Internet! Sem mais delongas me vou!



Esse rango tá com uma cara...





















By night...




Caramba, tem quase um boi inteiro aí.




Pizza Guatemalteca

sábado, 17 de março de 2007

Dia 17 de março

Dia 17 de março.





Redy?
Go...






















Arturo






Seis da matina, GET UP, STAND UP e seguimos para encontrar o resto da turma em um posto de gasolina. Chegando lá, havia uma galera de mais ou menos uns 30 motoqueiros, em variados tipos de moto; desde Ducati a várias BMW. Aqui as taxas de importação são muiiiiiiiiiitttooooo mais baixas que no Brasil, logo, torna-se mais fácil ter acesso a coisas melhores. Aí no Brasil temos, ou que pagar três vezes o valor de um bom carro ou de uma moto importada, ou acabamos comprando – caro - esse monte de porcaria que se vende aí, porque aproximadamente 51% do valor dessas merdas vai para o governo! E óbvio que não irão, nunca, facilitar a importação de automóveis e motos: a TETA TEM MUITO LEITE PRA ELES! VERGONHA, BRASIL, VERGONHA!


É "nosco"













Enfim, dois deles se aproximaram e começaram a falar comigo em português, eram Guatemaltecos que tinham vivido no Brasil por alguns anos. Ali ficamos de papo até a hora de sair.Saímos em um grupo de seis:Arturo, Mario, Alfonso (que é o dono de uma loja de motos), Geraldo (dono de um buffet ), a esposa dele e eu. Saímos da cidade e pegamos uma estrada para as montanhas; muito louca, cheia de curvas onde o joelho quase raspa o asfalto! Waw!!!!!!!!! Na subida da serra, a neblina fechou e logo começou a chover e fazer frio. Clima de serra, vocês sabem... Até que a chuva apertou e demos aquela paradinha básica pra pôr as roupas de chuva. Continuamos e... adivinha o que aconteceu? Cinco minutos depois o céu se abriu, o dia se fez esplêndido! Tomamos uma estrada secundária e, subindo a serra, nós nos deparamos com a imagem magnífica dos vulcões que cercam a cidade! UAU!!! Puta Merda, estou louco para gastar um pouco de memória da máquina! Tudo bem...


Depois de quase uma hora e meia alcançamos o vilarejo de PANAJACHEL. Trata-se de um lugar de população predominante índia, onde os táxis de três rodas circulam por todo o vilarejo. Aliás, todos os táxis na Guatemala, tirando os da capital, são assim. Encontramos muito artesanato, restaurantes, pousadas etc… Uma graça! Dei uma paradinha em um Internet Café pra pagar umas contas e fazer umas transferências.

Internet? EBA!
























Atravessamos o vilarejo até um hotel na beira do Lago ATITLAN... Vou deixar as fotos falarem por si mesmas!


















Já imaginou o trabalho de ter que acordar e ficar olhando para isso?



Ali ficamos um tempinho e tomamos um café da manhã. Logo depois, eles decidiram que iriam retornar em direção a Antigua, a 43km dali, para almoçar mais tarde. E eu? Bom, digo-lhes que aqui estou, sentado em um barzinho, tomando uma cerva, comendo e escrevendo um pouco ao som de Zeca Pagodinho! Salve, Zeca!
“… deu lavagem ao macaco, banana pro porco e o osso pro gato, sardinha ao cachorro, cachaça pro pato, entrou no chuveiro de terno e sapato, não queria papo, foi lá no porão, pegou treis oitão, deu tiro na mão do próprio irmão que quis te segurar….. entrou no velório pulando a janela, xingou o difunto, apagou a vela, cantou a viúva, mulher de favela, deu um beijo nela, o bicho pegou a policia chegou, um couro levou, em cana entrou e ela não te quer mais….” Bem feito! Não é demais? hahaha.

O bar combina com o Zeca.
A única coisa que é um pouquinho meio chata é o número de índias, carregadas de panos, braceletes, pulseiras entre outras cositas mas, que vem tentar lhe vender alguma coisa. Não é uma ou duas ou vinte... são um milhão (parece...) por serem muito insistentes. Sem contar com as crianças que se ofereciam pra engraxar minhas botas, todas sujas de barro e poeira! Hahaha!!!



É tudo em bando...
















Estou dando um apoio






Recomendaram-me fazer um passeio ao vilarejo de Santiago e Santiaguito. Hehehe, já sou dono! Mas, é um programa de dia todo e o calor tá pegando e eu não trouxe nada além do meu “Riding Gear”. Então, aí fica foda! Vou voltar, talvez, com mais calma. Vou explorar umas estradinhas por aí e procurar umas fotos maneiras. Fuiiii!!!!




























Apês pertencentes aos Mayas... como se sabe, eles já levavam uma boa vida.


Peguei uma estrada beirando o lago, em direção a Solola, um vilarejozinho a 2.150 m de altura, nos arredores do lago Atitlan. Parei em um mirante onde umas indiazinhas já chegaram pra me vender coisas. Umas gracinhas, acabei tirando uma foto das três juntas, e depois, a que era menos tímida (Melissa) tirou uma foto comigo. Mas, me pediram: “Uno quetzal por la fotografia, por favor!” Não resisti e larguei uma moeda com cada uma e todas “se quedaram contentas”.
























Eu e Melissa (fora de foco)














Cadê o Amecian Express?


Lá também encontrei uma família de brasileiros que vive aqui há muitos anos. (Brasileiro está em todo lugar mesmo!) Quando estava pra sair, um grupo de turistas franceses se aproximou e começamos a conversar. Tiraram sarro de mim dizendo que a Selecão Brasileira era freguesa deles; tive que concordar em gênero, número e grau. Fizeram algumas perguntas sobre minha viagem e foram muito simpáticos. “VIVE LA FRANCE”!


Decidi então ligar meu GPS para ter uma idéia da direção a que me dirigia. Foi só então que percebi que uma das peças do suporte não estava comigo e lembrei-me de onde havia parado pra guardá-lo dentro das maletas. Então retornei ao hotel onde primeiro fomos e ao chegar ao estacionamento….NADA! Olha daqui , olha de lá... Conformei-me por ter perdido, pois já havia horas do ocorrido. Então, saiu um rapaz de dentro do hotel com a peca na mão, falando que a havia encontrado no chão!! GRACIAS, GRACIAS, GRACIAS! Dei a ele 10 quetzales e, depois de rodar mais um pouquinho na cidade, resolvi voltar a “Guate” ( e assim que eles se chamam a cidade).


Bem lá

no
alto.










No caminho, passei por alguns vilarejos onde os olhos curiosos me seguiam o tempo todo. Em “Patzum”, na rua principal, havia alguns reservatórios de água, onde índias lavavam roupas a mão, como nos velhos tempos. Eu me lembrei da “Maria do Buracão”, lá em São Tiago... Boa sorte, Maria! O dia continuava lindo e a viagem foi extremamente prazerosa. Ao chegar à cidade, fiquei o maior tempo perdido, mas achei meu caminho de volta para casa.














As fotos completam a minha narração.



E nosso
Herói
termina
mais
uma
missão