quarta-feira, 9 de maio de 2007

De 4 a 9 de maio

De 4 a 9 de maio















Peru, dia 4 de maio
Já eram mais de 5 da tarde quando peguei a estrada em direção à primeira cidade aqui no Peru, chamada Tumbes. É impressionante como a paisagem muda drasticamente assim que se cruza a fronteira: de um lado, no Equador, tudo muito verdinho e chovendo sempre... vinte minutos de estrada chego ao litoral peruano, tudo começa a ficar marrom e mais marrom, e marrom ficou por muiiiiito tempo. Passando por Tumbes, pedi umas informações e resolvi tocar mais um pouquinho pra comer alguma besteira. Parei em um quiosque frente ao mar e duas meninas e um senhor me pegaram de papo. Aí começou a bater o cansaço.














Os sol estava se pondo no Oceano Pacífico, tirei umas fotinhos e resolvi procurar uma hospedagem por ali mesmo. O lugar se chamava ZORRITOS e encontrei um hotel, o COSTA AZUL, pertencente a um camarada chamado Juan Carlos e lá fui muito bem recebido.





































O hotel ficava na areia da praia e tinha piscina, internet e tudo mais, porém, foi só banho, jantar, e cama. No dia seguinte, tomei rumo sul, e só então compreendi como toda a costa do Peru é desértica. Passei por Cabo Blanco, uma cidadezinha pequenina onde avistei turistas e onde a prática do surf é o motivo principal para estes estarem ali. Não parei e, de Cabo Blanco em diante, só vi areia, MUITO vento, e nada de vegetação, nem mesmo uma graminha sequer. Só para vocês terem uma idéia, de ZORRITOS até NAZCA (ao sul de Lima) são mais ou menos 1.400 km de NADA, de deserto puro. Depressão total! Dirigi quase o dia todo, passei por cada lugarzinho que dava medo até de olhar. Muita sujeira, muito lixo, muita gente mal encarada. Todas as cidadelas FEDEM muito e são muito sujas. Não sei nem de onde sai tanto lixo. Cheguei a uma cidade um pouquinho maior que se chamava PIURA e, ao abastecer, olhei meu pneu traseiro e vi que estava mais do que no talo… Com os arames já à mostra, decidi que não conseguiria chegar a Lima para ir a uma concessionária da BMW e trocar os pneus, principalmente porque de PIURA a CHICLAYO são 260 km de um deserto chamado “deserto de OSMO” (se nao me engano) Essa informação recebi de um curioso que no posto de gasolina olhava a moto. What are you talking about? Não entendi, porque até agora tudo era deserto... Então ele me informou que estes eram 260 km sem nada no caminho, somente a estrada e mais nada. E a idéia de ter um pneu estourado no meio do deserto não me agradava muito.

Aridez de OSMO ( que quer dizer Osmonte de areia)
































Então resolvi ir a um lugar onde se “cambiavam las llantas” (pneus). Achei uma loja da Goodyear. Ao entrar, logo uns 10 funcionários se aproximaram e ficaram a observar a moto e a fazer aquelas perguntinhas básicas que vocês já sabem. O gerente, logo de cara, me disse não poderem trocar porque não tinham as ferramentas pra soltar a roda. Mas, como eu havia dito, um motoqueiro prevenido vale por dois: desmontei minhas malas e saquei as chaves que servem nos parafusos. Obs.: todos os parafusos da BMW são em formato de estrela, chaves comuns não servem. Bom, havia umas cinco pessoas trabalhando na moto, um soltou os parafusos enquanto os outros aguardavam a saída da roda... UFA… SIMPLERRIMO! Eu achei que teria que tirar o disco, cilindro e etc, mas esse não foi o caso, pois, as peças ficam presas ao chassi e ao cardan que, pelo fato de ser unilateral e não ter corrente, foi só soltar os cinco parafusos e a roda saiu.
Tinha tanta gente querendo ajudar que eu achei que nunca iam terminar porque todos queriam pôr a mão. Resultado, em 10 minutos as rodas estavam colocadas e apertadas e, depois de pagar a incrível quantia de quatro soles (ou seja: 1,30 dólares!) me fui. Não se enganem com o preço muito baixo, as coisas aqui no Peru não são tão baratas assim, só acho que o gerente da loja ficou tão empolgado que me cobrou um preço simbólico. (Imagino...) Obs.: A moeda nacional no Peru se chama “Sol”, cuja cotação é de 3,15 em relação ao dólar.
Então me fui, tomei a carretera para Chiclayo, e tome areia… um vento que soprava da minha direita, do oceano, fazia com que tivesse que pôr minha moto sempre inclinada para a direita para que conseguisse caminhar reto, o que aumentou o consumo de combustível em mais de 35%, segundo meus cálculos. Vento fortíssimo, sol, areia pacas e muito lixo à beira das estradas. Depois de pilotar quase o dia todo em uma reta que não tinha mais fim, em um deserto que não tinha mais fim, passando por cortiços e mais cortiços (porque não se pode chamar aquilo de cidades ou mesmo vilas), cheguei, já à noite, a uma cidade chamada TRUJILLO. Essa sim era uma cidade maior e com muita gente perambulando na rua. Bem no centro da cidade encontrei um hotelzinho e ... banho, barba e saí para comer.
Ao retornar ao hotel, conheci um casal de senhores ingleses que vivem na Austrália. Eles me contaram que um grupo de policiais havia meio que confiscado a carteira de motorista deles, caso não pagassem a quantia de 340 soles (mais ou menos 110 dólares), afirmando que eles estavam acima do limite de velocidade, muito embora não tivessem radar e estivessem em uma curva, bem na entrada de uma cidadezinha (favelinha diria eu). Receberam o dinheiro e não deram nenhum tipo de comprovante nem nada…. É lógico que foi pro bolso!!! No dia seguinte, levantei cedo e tomei o rumo de Lima que ainda estava longe pra burro. Umas três horas depois, passo por um pedágio (moto não paga...) e, do outro lado das guaritas, um policial faz sinal pra eu parar. Começa a perguntar de onde sou, de onde venho, quanto vale a moto, quanto corre a moto, etc e tal. NUNCA pediu pra ver nenhum documento. Então me pede pra dar uma voltinha na moto. Ahhh? Nem pensar! - eu pensei, mas muito gentilmente me recusei e disse que ficava pra próxima. Imagina só: toda minha bagagem, com câmera, laptop, ferramentas e etc. Imagina se esse maluco resolve sumir? Que eu ia fazer? Nem pensar!!! Já estava com a pulga atrás da orelha por causa da história dos ingleses com os policiais e também porque o Juan Carlos havia me dito pra ficar espertos com eles. Rapidinho dei linha na pipa e me fui!
DESERTO, DESERTO, AREIA, VENTO, LIXO, CORTICOS, MAIS LIXO, MAIS DESERTO. Ao me aproximar da cidadela de Barranca, encontrei as ruínas da FORTALEZA DE PARAMONGA, que foi construída pela civilização CHIMU e que era usada para estudos de Astrologia. Parei e da estrada mesmo tirei umas fotinhos.

















Assim que subi na moto, uns 400 m depois, havia uma curva e eu estava ainda muito devagar, tentando ajeitar os fones de ouvido metendo as mãos por dentro do capacete e lá estavam eles…. Os tais policiais! Um senhor fez sinal pra eu parar; o oficial PERALTA (olha que nome!) E logo já veio dizendo que eu estava acima do limite de velocidade, me perguntou de onde era, de onde eu vinha, pra onde eu ia e eu com muita calma fui respondendo a tudo. Pediu minha carteira de motorista e ficou com ela na mão; abriu um livrinho me mostrando o preço de uma multa por excesso de velocidade: 340 soles! (Exatamente a quantia que o casal de ingleses pagou) Mas, por eu ser muito educado e um cavalheiro, ele poderia quebrar meu galho e eu pagaria só a metade. PS: no livrinho havia também uma coluna com todas as multas com 50% de desconto. Mostrou o quanto teria que pagar pra poderem liberar minha carteira. Putz… não sei o que me deu e eu comecei a falar: “Meu amigo, eu estou aqui viajando numa boa, não fiz nada de errado e estou escrevendo uma historia sobre essa viagem. Até agora, só tenho coisas boas a contar e gostaria muito poder escrever coisas boas sobre o país e sobre as pessoas daqui.” Disse também que eu não carregava dinheiro comigo, só cartão e que eu pagaria a multa por inteiro junto ao Departamento de Trânsito, em Lima. Ele então me perguntou se não poderíamos ir até um posto de gasolina e, com meu cartão, eu poria uns galões de combustível no carro patrulha. Eu logo disse que NÃO, que preferiria pagar a multa em Lima. Ele esboçou novamente a insinuação que poderia reter minha carteira de motorista e aí eu desandei a falar: “O senhor pensa que não sei de nada? Este documento é um documento emitido pelo Governo Americano pertencente a mim, e sei que o senhor não pode retê-lo, caso o faça, eu vou embora e, em alguns dias, tenho certeza de que vou tê-lo de volta. Aí será o senhor quem terá que se explicar. Se quiser me multar, por favor faça-o, mas, como eu não estava fazendo nada errado, não estava correndo e vocês nem mesmo têm radar, não acho que seja justo. E o senhor parece ser um “cavallero” e estou certo de que não tem a intenção de me prejudicar.” Putz… eu estava fumegando de raiva, mas penso não ter deixado transparecer muito. Acho que ele não esperava pela reação e meio que perdeu o rebolado; devolveu minha carteira e me desejou boa viagem. Ainda tentou me passar um sermãozinho, dizendo pra eu ser mais cauteloso, bla, bla, bla.. mas nem mesmo esperei ele terminar e já disse: “Hasta la vista!” e me fui.
PQP, estava totalmente decepcionado com o Peru (O país Peru, ta? Pra vocês com a mente poluída). Estava tão puto que pensei em nem passar por CUSCO para visitar Machu Pichu. Havia guiado mais de 1000 km por desertos, favelas e lixo, e ainda vem um filho da puta tentar arrancar dinheiro de mim? Vai se fuder!!! Parei uns 2 km depois quando notei que meus fones de ouvido estavam pendurados quase arrastando no chão; tinha saído com tanta pressa e raiva que nem havia percebido. Então, coloquei ENYA pra dar uma relaxada e logo, logo estava tranqüilo. Finalmente cheguei a LIMA... assustador!!! Cortiços e mais cortiços, sujeira, fedor etc… Resolvi passar direto, mas, quando cheguei à parte mais ao sul da cidade, resolvi sair da rodovia e entrar para abastecer. Entao…. tcham tcham tcham tcham... por sorte, havia entrado na parte boa da cidade, que alívio, parecia estar em outro mundo! Em questão de segundos, saí do LIXÃO e entrei numa parte da cidade onde tudo era LINDO: avenidas, casas, árvores, flores, cafés, restaurantes, lojas tudo do mais altíssimo nível de qualidade e refinamento. Bonito messsssmo!!! Ainda estava meio em choque porque não esperava tal melhora e por ali mesmo resolvi achar um hotelzinho e ficar. Se algum de vocês, um dia resolver vir a Lima, fiquem na região sul (MIRAFLORES, SURQUILLO e SURCO). Vale a pena!
Depois de me instalar e tomar banho, fui caminhando por algumas quadras, apreciando tudo que via. Achei uma pizzaria de uns argentinos e pedi logo uma grande pra levar para o hotel. Acontece que a filha dos donos, a Maria Paula, foi quem me atendeu e me pegou de papo por mais de uma hora. Ela me deu várias dicas de onde ir e o que fazer na cidade. Lima não é muito barata não, dei uma olhada nos restaurantes e cafés e tudo é bem caro, embora todos apresentem qualidade altíssima, são bem modernos e sofisticados. Valeu a pena eu ter entrado por lá. Retornei ao Hotel e comi pizza assistindo à GLOBO, isso mesmo, Globo! Vi os gols das finais dos campeonatos estaduais e também o Jornal da Globo que mostrou um monte de merda que estava acontecendo em São Paulo, durante um show dos Racionais, na praça da Sé, onde a galera quebrou tudo!
No dia seguinte, fui procurar a concessionária da BMW pra trocar óleo, filtros e provavelmente meu pneu dianteiro, muito embora não estivesse tão gasto. Sei que só vou poder trocar numa autorizada, pois, é bem mais complicado que o traseiro. Localizei-me no mapa e encontrei uma super concessionária, gigante, com dezenas de carros e funcionários. Mas, eles não tinham em estoque tudo que precisavam (filtros de óleo e ar) e demoraria em torno de 10 dias para receberem via correio. NEM PENSAR! Putz… vou ter que ir até La Paz, na Bolívia? E se eu chegar lá e eles não tiverem as peças também? Bom, vou tentar passar um e-mail pro Bill, o gerente da concessionária onde eu comprei a moto, pra ver se ele pode ligar de lá (ou mesmo mandar as peças) para que, quando eu chegar a La Paz, não tenha que esperar para fazer uma simples troca de óleo e filtros, né? Bom saí de lá ainda era manhã e resolvi pegar a estrada em direção a NAZCA. Alguém aí não ouviu falar nas “Linhas de Naszca?”

El Colibri










Bom, são desenhos feitos nas areias do deserto por uma civilização que precedeu a civilização INCA. Ninguém sabe ao certo a procedência dessa civilização ou o significado das linhas nem as datas corretas delas; acreditam ter sido feitas entre 400 a.c e 800 d.c , e ocupam uma região de mais de 500 km. Esses desenhos ainda estão quase intactos pelo simples fato de NAO CHOVER- nunca - por aqui, nessa parte do país… entre a cordilheira e o oceano. Aliás, tirei nesses quase 1.500 km, desde a fronteira até Nazca, muito poucas fotos, porque uma seria a cópia da outra! DESERTO, DESERTO E MAIS DESERTO.
Ao chegar a Nazca, vi três motoqueiros encostando em um hotel e resolvi ficar por lá também. Assim que entrei, eles se apresentaram e por ali mesmo, ao lado da piscina ficamos de papo. Dois deles, o Adam e o …(ESQUECI) são turistas ingleses que contrataram o outro camarada, o holandês, o (ta bom, esqueci também), que vive em AREQUIPES, uma outra cidade mais ao sul, e que vive de organizar viagens de moto por toda a América do Sul. Ele já levou até grupos daqui ao Rio de Janeiro, vive disso e sua clientela é, principalmente, européia; o que me deu uma ÓTIMA IDÉIA: fazer o mesmo no Brasil e, através da INTERNET, buscar clientes europeus! Quem sabe, né? Ficamos ali, de papo, e depois, mais tarde, nós nos reunimos e caminhamos até a praça central para jantarmos. Que galera gente fina!!!!!




















Convidaram-me para ir com eles pela manhã fazer um vôo para ver as “linhas de Naszca”. Hesitei um pouquinho, mas, depois aceitei. Custa 40 doletas, mas vou passar por Nazca e não ver as Linhas de Nazca? Não fazia sentido nenhum!










































Retornamos ao hotel e ainda ficamos de papo furado por um tempão, até que pedi arrego e fui dormir, afinal havia pilotado um monte naquele dia. Oito da matina, breakfast, e às nove vieram nos buscar para levarem-nos ao aeroporto. O vôo dura em torno de meia hora somente, mas, tivemos a chance de tirar fotos e curtir. Programinha bem rápido e bom pra gringo mesmo; as linhas de Nazca se estendem por centenas de quilômetros, mas só nos mostram as que estão próximas da cidade e as que conseguiram identificar; há muitos outros desenhos que não fazem nem idéia do que sejam.


































Chegamos ao hotel ainda era de manhã e eu resolvi pegar a estrada em direção a CUSCO. Sabia que não ia conseguir percorrer os seiscentos e alguns quilômetros em uma tarde, na verdade nem mesmo em um dia, porque as curvas da cordilheira não permitem.













Empacotei tudo, despedi da galera e me fui! Peguei a estrada em direção a PUQUIO e, em um trecho de 70 km, subi do nível do mar até 4.600 metros de altitude, com tantas curvas que quase se podia ler a placa da moto... e muita poeira!

Parece uma cidadezinha feliz










Ahhh, observação: As estradas aqui são, de uma forma geral, muito boas mesmo. Até chegar a Nazca, praticamente retas e muito poucas curvas e subidas, mas também tenho que dizer que o número de veículos circulantes e ínfimo. Devo ter cruzado com aproximadamente duas centenas de veículos, no máximo, em quase 1500 km de estradas. Voltando ao assunto, quase chegando ao topo da serra, parei numa biboquinha onde comprei um pedaço de bolo de milho, um queijo fresco e água. Por tudo paguei 6 Soles (2 doletas) e fiquei conversando com um senhor (Hidalgo) que queria porque queria saber porque eu não tinha esposa e filhos! HAHAHA, nem tentei explicar porque ele não ia entender mesmo! E quando eu ia caminhando ele me disse que era pra eu retornar daqui a um tempo e trazer meus filhos pra ele conhecer. Hehehe Bem, uns 20 minutos depois, ao me aproximar do alto da cordilheira, em uma área que se chama “Pampas de Gallera”, em um planaltão imenso, onde o marrom do deserto começa a se tornar verde, avistei uma graminha, e mais outras e outras...

















é nóis nos "Pampas"


Quando cheguei à parte mais alta, as curvas se acabaram e tudo ficou plano e a vida resurgiu! Pastos, lagos, pássaros, flores e muitas, mas muitas llamas! Parei e comecei a caminhar em direção a esses animais tão simpáticos. Pareciam não se incomodar com minha presença, mas também não deixaram que me aproximasse mais de uns 10 metros.


Isso é que é ovelha...













A vegetação ainda era tímida em cor e em tamanho, mas já tomava conta da paisagem. Água!!! Substância essa que não avistava havia mais de 1600 km! Então, uns 20 km depois de iniciar meu percurso nos Pampas de Gallera , passei por um portal mágico para um outro mundo, assim que comecei a descer pelo outro lado da cordilheira!!!! WAW, WAW, WAW, WAW, WAW!!! E só o que consigo dizer pra descrever a sensação que sentia naquele momento. Foi uma das emoções mais impressionantes que já senti: passar de um dos lugares mais secos do planeta, mais inóspitos, onde não se avistava nem um bichinho, nem uma flor sequer; para um “mundo” cheio de vida em questão de MINUTOS!!! WAW, WAW, WAW!!!! Era tudo que conseguia pensar. Este lado da cordilheira é de encher os olhos de qualquer um! Especialmente de quem vinha viajando há quatro dias por um deserto que não parecia ter fim! Foi como se tivesse me conectado a uma fonte de energia infinda e, em segundos, recarregado minha bateria interna! Quase como a sensação que tive ao chegar a TIKAL na Guatemala.





























Todos os sentimentos ruins e de desânimo que havia tido em quase todo o meu trajeto pelo país, de repente, “não mais que de repente”, pareciam uma memória distante agora! WAW,WAW, WAW!!! Fazia frio, é claro, a 4600m só podia fazer frio. Logo,logo, parei a moto e me sentei à beira do penhasco e por ali fiquei estático, atônito por um tempão! O som dos diversos pássaros e do vento eram os únicos ali, até aquele momento. Carros? Nem sinal! De vez em nunca passava um!
O tráfego intenso já justifica
a duplicação da pista.















Um gavião planava, estático, por vários minutos, só procurando uma presa lá embaixo, muito lá embaixo...














Tirei minha câmera e fiquei ali observando o que ia acontecer; somente uns 10 minutos depois ele deu aquele mergulho e desapareceu da minha vista. Se pegou algo? Não sei, mas valeu a pena ficar ali só de bobeira, escutando os animais e vendo tanto verde, milhões, bilhões de margaridas amarelas, árvores, e muita VIDA, até onde a vista alcançava!












Desde o início do Pampas de Gallera, nas montanhas mais altas, já se avistava neve e, durante a descida, esta começa a fazer parte de minha jornada por uns minutinhos. A princípio começa a cair gelo, pedrinhas bem secas de gelo, que depois viraram floquinhos pequenos de neve e depois uma chuva com gelo, até que virou somente chuva, à medida que fui baixando. Mas, logo cessou e prossegui meu caminho até CHALUANCA, um vilarejozinho a mais ou menos uns 2600 m de altitude, onde me hospedei no hotel PLAZA... Ah, nada a ver com o Plaza de New York.













Ao chegar, encontrei um casal de ingleses que também viajava de moto. Eles estavam indo em direção oposta a minha, já haviam passado por Cusco e tudo mais. Jantamos juntos e peguei com eles várias dicas sobre a Bolívia e a Argentina. Ele, Peter, está viajando há quase seis meses e já foi até o Ushuaia. Sua namorada está com ele há somente três semanas e já vai ter que retornar a Londres em alguns dias.












Jantamos e demos uma caminhadinha pela cidade. Na praça central, onde há uma estátua de Simon Bolivar, um grupo de meninos brincava e rolava no chão, com uma felicidade que há muito não via.






















Todos estavam especialmente imundos! Queria tirar uma foto com eles, mas, estavam tão excitados com a fotografia que o máximo que conseguir fazer foi tirar uma foto deles e tive que quase sair correndo porque, depois, me cercaram e queriam ver a foto de todo jeito! Puxa daqui, empurra dali e quase me arrancaram a câmera da mão. Llindos, todos eles!












Cinco minutos depois conseguir desagarrá-los de meu pescoço e observei os adultos rindo e sorrindo pra mim. Que legal!!! Retornamos à porta do hotel e logo, logo nos retiramos. Essa manhã, arrumei tudo e fui tomar um café no restaurantezinho abaixo do hotel, onde conheci um senhor que me falou de umas ruínas, maiores que Machu Pichu, às quais só se chega caminhando pelas montanhas e tem-se que partir de um vilarejo chamado SAN PEDRO DE CACHORA. Supostamente, essas ruínas são três vezes maiores que as de Machu Pichu, e pouca gente as conhece. São mais ou menos uns 34 km de caminhada pelas montanhas nevadas até CHOQUEQUIRAO ou CHOKEQ’IRAW, a cidade que foi descoberta e virou rota para turistas desde 1992, não há muito tempo, mas que não é tão visitada devido à dificuldade de acesso. Bom, tomei meu cafezinho e saí em direção a ABANCAY, a estrada de Chaluanca ate Abancay e - uma coisa maravilhosa - são mais ou menos 120 km de estrada perfeita, sem trânsito algum, com muitas curvas, poucas subidas, acompanhando um rio maravilhoso em todo seu trajeto.













Ao chegar a Abancay começa a subida da cordilheira novamente, e as temperaturas começam a cair. Em um trecho de 30 km, subi de 2600 m a mais de 4000m, e as montanhas cobertas de neve começaram a reaparecer e a ficarem cada vez mais próximas.













Em um ponto do caminho, vi um cruzamento com uma plaquinha que dizia: CACHORA. Aí, lembrei-me das palavras do senhor no restaurante esta manhã e resolvi pedir informação a algumas pessoas que ali no cruzamento estavam a conversar. Confirmaram tudo o que já tinha ouvido e então resolvi tomar caminho até Cachora. Peguei uma estradinha de terra, cheia de cascalho, descendo a serra, onde a cordilheira e suas montanhas cheias de neve me enchiam a vista e me deixavam boquiaberto.












Quase chegando à Cachora, passei por um outro vilarejozinho, onde um mochileiro estava em pé, em uma esquina. Parei e acabei descobrindo que ele trabalhava para o governo do Peru, em desenvolvimento turístico, especificamente para a região de Choquequirao. Ele me passou algumas informações, inclusive que meu pneu traseiro estava vazando ar!!! Putz… naquele minuto mesmo havia entrado um prego de uns 10 cm no meu pneu novinho!!! Tirei as ferramentas de minha bagagem e em uns 10 minutinhos já havia tirado o dito cujo ( o prego) e arrumado o vazamento. Assim que terminei, saiu uma tropa de crianças de um colégio e logo me rodearam. Pareciam formiga em pote de mel, brincando, sorrindo, perguntando etc… E, quando disse que queria tirar uma foto deles …putz, que loucura!












O plano inicial era pôr a máquina no tripé e tirar uma foto COM eles, mas, o entusiasmo era tanto que eu mal consegui que eles ficassem a três metros de mim para que pegasse todos na foto! Hahaha, eu dizia: Fiquem aí, não se movam!! Eu dava dois passos pra trás, e eles, dois pra frente. Tentei falar novamente; dei mais dois passos para trás, e eles mais três à frente… estavam grudados em mim, até que consegui meio que correndo dar uns cinco passos atrás e tirar uma fotinho ‘mais ou menos” e, um segundo depois, já estavam todos ao meu redor. Nem consegui tirar a foto com eles, como eu queria.





















Segui em direção a Cachora, um vilarejo pequeniníssimo, ao pé do NEVADO (LINDO!), onde cavalos, mulas, vacas, cachorros e somente NATIVOS ocupavam as ruinhas: só eu de turista! Achei um hotelzinho e daqui me encaminharam tudo para a jornada de amanhã.














Já com o guia, fizemos uma lista das coisas que precisaríamos: comprei tudo para alimentação minha e do guia por quatro dias. Depois, dei uma caminhada pela cidade e, ao entrar numa vendinha, vi uma ovelha, que se chama “Jorge”. Sim, isso mesmo, um bichinho de estimação que anda livre pela rua e dentro das casinhas e vendas da cidade!


Seu Jorge...















Ele acha que é o irmão dele
Amanhã cedo, eu, o guia e um cavalo que levará nossos mantimentos, sairemos daqui cedinho, dormiremos no meio do caminho e somente no outro dia alcançaremos as ruínas. Bom, isso conto com mais detalhes depois. Dei uma ligadinha pra casa, rapidinho pra dizer que não vou poder dar sinal de vida por uns cinco dias, e que era pra tchurma não se preocupar. Ao retornar, no domingo, vou para Cusco onde reencontrarei meus colegas ingleses.
Boa noite!!! Tenho que dormir porque amanhã vou caminhar demais! Fui!

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Dia 2 e 3 de maio

Equador, dia 2 de maio


Saí cedo e não tive problema nenhum na fronteira. No lado da Colômbia só cancelaram minha permissão pra moto e depois me carimbaram o passaporte, em três minutos estava a caminho do Equador. Lá também foi a coisa mais fácil. Não havia praticamente ninguém e um senhor, muito educado, vestido de terno e gravata, fez meus papéis para a moto enquanto eu ia pegar o carimbo da imigração a uns 10 metros de distância. Depois que preenchi o formulário, peguei meu carimbo e retornei à parte da Aduana, onde o senhor já me entregou tudo prontinho.












O dia havia começado bem... bem demais... alguma coisa tinha que dar errado! Primeiramente o computador de bordo me acusa um problema com o sistema ABS de freios e, acreditem, nessas estradas aqui, o que qualquer um menos quer é ter problemas com os freios. Mas, fiz uns testes e pareciam estar funcionando relativamente bem. Depois o que se passou foi o seguinte: não pus combustível no lado da Colômbia porque já sabia que no Equador era bem mais barato, metade do preço praticamente. E aí, novamente meu painel pedia por combustível, 30 milhas era o que me restava... Só que ao entrar no Equador passei por dois postos de gasolina, que não tinham gasolina! Parece que a galera toda de Ipiales vem aqui abastecer. Fui andando, não tinha outra opção; passei por um terceiro posto que também não tinha gasolina! Puta merda, só me faltava essa! Lembrei do Vanzin novamente… he would be freaking out by now! (Deixa eu ser justo, ele já foi mais neurótico, hoje acredito que ta mais calminho.) Pra minha sorte, faltando 10 milhas pra acabar o combustível... acheiiiiiiii! Abasteci e, como ainda era cedo, parei pra tomar meu café da manhã. Foi só então que eu descobri o quanto as coisas são baratas aqui no Equador; uma senhora vendia um balde de amora, não uma vasilhinha, um balde por 1 doleta.
Amoritas


Waw! Só pra dar um outro exemplo, os restaurantezinhos por aqui vendem um café da manhã completo com ovos, torradas, pão, queijo, leite e café por 1,50 dólares. PS: dólar é a moeda nacional, tá? Um almoço custa em torno de 1,75. Ontem mesmo comprei um jantar com arroz, lentilhas, batatas fritas, frango assado, sopa de vegetais com carne e um suco de laranja por 1,7. Quase me senti culpado! A senhora que me atendia me olhou como se fosse de um ET quando eu dei a ela e incrível quantia de 3 dólares e disse que não precisava de troco.



Bom, as estradas não são boas; são excelentes! Perfeitas, tudo bem pintadinho e sem buracos. Passei por uns dez pedágios e paguei 20 centavos de dólar em cada um, hahaha, parece aí no Brasil, né?
PS: pra quem for dirigir na Colômbia, também há vários pedágios, só que moto não paga.
Bem, segui guiando e apreciando a paisagem. Aqui também é tudo muito bonito e, com as estradas vazias e boas, cheguei a Quito antes do almoço. Resolvi passar direto porque estava descansado e animado para guiar, apesar das luzes do freio estarem o tempo todo piscando diante dos meus olhos.

Quito

















A bela Catedral
de Quito




























Não ia parar em Quito não, até que avistei uma placa sinalizando uma saída ao Centro Histórico e, ao olhar pra minha direita, vi aquele monte de construções coloniais que me lembraram alguns lugares no Brasil. Muito bonito ver um centro tão bem conservado, no meio de uma cidade tão grande e cheia de modernidades e problemas típicos de cidade grande. Muito Bonito! Também já me chamava a atenção o número de indígenas perambulando pela cidade. Toquei pelas avenidas centrais e perimetrais da cidade até que me achei perdido e resolvi parar em um posto para pedir informação. Então se aproximou um rapaz, que vinha de bicicleta, e começou a conversar comigo.


Juan Carlos



Bem, esse cara é o Juan Carlos, um equatoriano que roda pra tudo que é lugar de bicicleta. Já fez oito paises da Europa e já foi daqui até o Ushuaia em sua bike, sozinho; já tem mais de 34 mil km rodados. Deu-me várias dicas sobre os caminhos que deveria tomar dentro do Equador e também sobre a fronteira com o Peru, que parece ser um pouquinho perigoso. Trocamos e-mails e ele já me enviou uma lista de um monte de “casas de ciclistas” onde se pode conseguir abrigo e ajuda em todos os paises daqui para baixo. Valeu, Juan Carlos!!!!
Tomei então a carretera em direção a MACHACHI. Começou a chover dinovo,! E chove, e chove até que às cinco horas da tarde resolvi procurar um lugarzinho pra me encostar. Só uma hora depois cheguei a RIO BAMBA, e, logo na entrada da cidade, avistei esse hotelzinho e resolvi parar pra perguntar o preço: US$7,00 por noite! Muito bonitinho, limpo e muito confortável. Os dois rapazes e uma moça, funcionários daqui, foram tão gentis e amigáveis que eu ia acabar ficando por aqui de todo jeito. Não me deixaram nem carregar minhas próprias malas para o quarto, já tomaram conta do pedaço e, à medida que eu ia desamarrando tudo da moto, já iam pegando e levando acima. Banho, jantar de U$1,75 e cama!! ZZZZZZZZZZ.
O plano original era de hoje, dia 3 de maio, sair em direção à fronteira com o Peru, porém, uns panfletos no lobby do hotel me informavam sobre o “NEVADO CHIMBORAZO”, um vulcão a mais ou menos uns 40 minutos daqui, que é um dos maiores picos do Planeta, com 6.310 m de altura. Além disso, fiquei sabendo que eu poderia chegar até o segundo refúgio na minha moto, e que de lá poderia escalar, com guias, até o cume. Mas eu não tenho equipamento adequado pra uma subida dessa, na neve ainda, né?
Antes de qualquer coisa, fui ler o manual da moto pra ver quais as implicações do problema com o ABS. Bom, descobri que era um WARNING geral e que poderia significar algumas coisas diferentes, uma delas era PASTILHAS DE FREIO! Desci até a moto e…… BATATA, minhas pastilhas traseiras haviam se acabado! Não estavam no final não, já haviam se acabado! Mas, como um motoqueiro prevenido vale por dois, saquei minhas ferramentas e um jogo de pastilhas de freio que trazia comigo e lá vou eu fuçar na moto. Pensei! Putz... nunca desmontei nada nessa moto, tudo é computadorizado ou eletrônico, mas eu não posso andar com os freios assim, especialmente porque nessa moto não se consegue usar só o freio da frente; o sistema integral de frenagem ativa automaticamente 70% o do dianteiro e 30% do traseiro, ao se acionar a alavanca do freio dianteiro. Eu teria que tentar desmontar de todo jeito, porque, mesmo se não conseguisse trocar tudo direitinho, eu teria que tirar os cilindros para não danificar os discos. Fuça de lá, fuça de cá, e o número de parafusos começa a aumentar… Vixi Maria! Quando consegui soltar o cilindro e tirar as pastilhas velhas, cai uma peça de dentro do cilindro…. Puta, fudeu! Mexe, olha, aperta, enfia, tenta outra vez até que descobrir onde a bendita ia. No final das contas, consegui montar tudo, sem deixar nenhuma peça sobrando, a luz do ABS se apagou e tudo voltou ao normal! Com os freios arrumados, resolvi então sair pra ver qual era a desse vulcão.
San Juan, Equador


A turma do ônibus parece motivada...


























A precisão do arquiteto desta sacada
é quase igual a dos construtores Incas


No caminho, passei por alguns vilarejozinhos, e em todo o meu percurso avistei principalmente indígenas incas, todos com seu ponchos e chapéus típicos. É muito interessante essa região: Rio Bamba é uma cidade com mais ou menos 400.000 habitantes, onde há muito comércio e uma universidade que tem cursos em diversas áreas (também dei uma rodada pelo campus para conhecer). Por outro lado, se você dirigir por somente 20 minutos para fora, você pode chegar a um lugar selvagem e parado no tempo, onde as indígenas carregam seus filhos em trouxas, jovens e crianças carregam sacos imensos com milho e outros vegetais, e senhores e senhoras tocam suas ovelhas e llamas, sossegadamente, pelas estradinhas de terra.


Tricotar e andar (time is money).



Chegando à entrada do vulcão, estava tudo nublado, muito frio e chovendo também. O guarda me aconselhou a voltar outro dia porque hoje não ia conseguir ver nada. Anyway! Voltei, mas alguns quilômetros adiante, em San Juan, avistei uma estradinha de terra que subia pelas montanhas e ia em direção a Guaranda. Lá vou eu, montanha acima, tudo que se avistava eram casinhas e algumas áreas cultivadas. Indígenas de monte!

















O curioso e que eles nao dao muita bola pra ninguem nao… male male te olham e alguns nem mesmo cumprimentam de volta! Believe me, I tried! Mas tem sempre os mais simpaticos; na minha jornada em direcao ao NADA, a mais de 4000m de altura me deparei com uma senhora que vinha tocando um bando de Ovelhas, eu parei e desliguei a moto para esperar ela passar, nao queria que o barulho assustasse e perturbasse o caminho das bichinhas.

Alto pacas...


A estrada para o nada é muito bonita























Foi só então que me dei conta do silencio e da serenidade do local. A senhora trocou meia dúzia de palavras comigo e se foi. E eu? Bom, fiquei ali parado por mais uns 15 minutos, só olhando pro nada, pensando... acho que em nada também, até a hora em que resolvi regressar a Rio Bamba pra comer e terminar de escrever. Valeu a pena mesmo, apesar de eu não ter conseguido ir ao CHIMBORAZO. Tenho tudo programado pra sair amanhã cedo em direção ao Peru, mas se o dia estiver bonito (o que eu duvido) vou estender minha estada para mais um dia. Boa noite! ZZZZZZZZ. Ao acordar, arrumei tudo e desci para empacotar a moto, e lá estavam me esperando os três rapazinhos do hotel, de câmera na mão porque queriam tirar fotos comigo e da moto.





Fizeram a maior farra, subiram, puseram luvas, capacete e gastaram um filme inteiro, foi muito divertido. Paguei os 14 dólares do hotel e acabei dando 21 a eles, 7 pra cada para que pudessem fazer o que fosse… Só faltaram me beijar!!! Epaaaaa, perai, aqui não, João!!! hehehe. Saí lá pelas 9 e peguei uma estrada pela serra em direção a Guayaquil, porque o outro caminho para o Peru era mais longo e tinha muito mais montanhas. Aliás, deixa eu falar, essa estradinha até o término da serra foi horrorosa… muito buraco, frio e chuva o tempo todo, mas atravessei em um pedaço só. O que pra mim foi surpresa porque todas as outras estradas do Equador foram perfeitas. Bom, passando essa parte ruim, tudo ficou mais tranquilo, estava com disposicao e resolvi tocar ate a fronteira, o plano inicial era de dormir no Equador e amanhã, pela manhã, cruzar…mas, por algum motivo eu tava cheio de energia e, depois de dirigir 10 horas, e resolvi cruzar a fronteira. O lugar é uma mufumba… do lado do Equador já começou a confusão: aquele monte de gente querendo ajudar pra tirar uma graninha e eu, muito gentilmente, recusei a ajuda de todos; cancelei meus papéis, carimbei meu passaporte e me dirigi pela cidade de HUAQUITAS em direção ao Peru. Que loucura, devia haver mais de 10.000 pessoas e 1.000.000 de camelos em ruinhas estreitinhas, mas, no final das contas resolvi tudo em questão de meia hora e tomei rumo. Amanhã continuo a historia… Bjs a todos, fui.